quarta-feira, 28 de julho de 2010

Viver o avesso...



Me desvencilhando de coisas velhas , ou talvez nem tanto , mas o suficiente para deixar pra trás, arrisco trilhar um novo caminho. No velho caminho ficam projetos, conquistas, sonhos, lutas e dores, se bem que nem tudo precisa ser velho, até o novo muitas vezes precisa ser renovado. Não seria isso desistir? Talvez... Os anos passam, a garra já não é a mesma, os dias já não são tão leves e o pesado talvez esteja demasiadamente pesado. Coisas nos acompanham anos, anos internos, anos externos... De fato perduram apenas as que importam: coisas, pessoas, momentos, eu’s... O grande Pessoa, sobre as pessoas já dizia que: “Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas ... esquecer os caminhos antigos que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia ...” Do outro lado da ponte talvez não esteja o esperado, mas ousar faz parte da vida. Esperar nem sempre deveria fazer... As vezes pode ser interessante viver o avesso...

quinta-feira, 22 de julho de 2010

E se partir fosse sempre uma alegria?



Se partir fosse sempre uma alegria, na pressa que vivemos, talvez esquecêssemos de sentir o nobre sentimento da saudade. Não o sentimento da dor de quem “perdeu”, mas a saudade de quem muito já ganhou. A saudade que consola, que arranca um sorriso desavisado, que até jorra lágrimas, mas lágrimas que conduzem à oração, ao perdão, à esperança do porvir. TRANSITÓRIO. Eu acredito! Acredito nos que vem, nos que vão. Acredito na força que nos rege. Nas reconstruções. Na (re)vida. Nada disso contradiz a necessidade do luto, da dor, mas explica a não necessidade da sua perpetuação. O peito ainda está machucado, mas é no “eu acredito” que eu acredito ...Então...

Dorme...

Dorme como anjo que perdeu hora de acordar

Dorme como se o mundo calasse pra não atrapalhar teu sono

Dorme como se todos compreendessem tua necessidade de repouso

Dorme despreocupado, tranqüilo, sereno...

Dorme que a vida continua, aqui e aí....

Dorme o sono da transitoriedade, da renovação... Dorme....Dorme...Dor...Me....ZzZzZz.....


"Ela não é o fim..."

terça-feira, 13 de julho de 2010

Quando?

Meu corpo ávido pelo teu, ainda carrega junto a ele a labareda compartilhada naquela súbita lua em que nos devotamos ao nosso amor. Nos lençóis que nos deleitamos, ainda sinto o cheiro da tua excitação e a umidade do meu mais profundo gozo.

Quando te terei novamente em meus braços?

Tenho apenas o silêncio como resposta...

Só sei que enquanto estivemos juntos, senti o prazer da eternidade pelas tuas mãos.




quinta-feira, 8 de julho de 2010

Mansidão

Logo alí... Ou melhor, bem aqui. Aqui à minha frente, num balé harmônico em sua jeitosa desarmonia. É como se nada mais existisse. Aqui.Como se num embaralhar de tristeza e alegria saudasse a humanidade. Tão simples. Tão sutil. Tão imponente. Tão...Tão...Está bem aqui. Observo como se nunca o tivesse visto. Uma beleza de tamanha fascinação. Não sei explicar... Mansidão, calmaria... sei que é bom. E isso basta. É bom olhar. É bom ouvir. E sentir... Ah! sentir... É como se o tempo parasse e num céu inundado a alma recarregasse. Aqui. Divinamente preenchido de intensos e silenciosos sons. De movimentos tão contínuos, constantes, num descompasso perfeito... Bem aqui! Aqui à minha frente...E sem nada cobrar...

terça-feira, 6 de julho de 2010

Saudade? Oi? Hã? O quê?

“O tempo não pára! Só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo...” Já dizia o grande poeta Mário Quintana .

Hoje acordei recheada de saudade(s). Ao me deparar com as linhas do Sr. Quintana ,ousei perguntar: Saudade de quê exatamente? Saudade do que era? Saudade do que é? E se o que era hoje já não condiz com o que é? E se o que é, é deveras distante pra ser alcançado? Logo surgem outras questões: E se o que era ainda for só pra mim? E se o que é, é unilateral? De que vale a saudade com desejo de reencontro se foi num longínquo encontro que as lembranças ancoraram?... Sem dúvidas a saudade acompanha o ciclo de cada ser, mas começo a perceber que o que foi, é para sempre na alma, mas foi. Agora é hora de criar outras saudades, outras canções...


“...Saudade é amar um passado que ainda não passou,
É recusar um presente que nos machuca,
É não ver o futuro que nos convida...”

(Neruda)